“A grande maioria das pessoas só doa sangue quando alguém pede”. Essa afirmação reflete duas irresponsabilidade do sistema de saúde: a primeira está relacionada a inexistência de sangue estocado em condições de uso com segurança, é necessário tecnicamente um intervalo de dias para que o sangue coletado possa ser utilizado e todo cidadão tem direito a isto; a segunda relaciona-se ao tratamento reducionista que as instituições hospitalares dão ao assunto, transformando um problema de ordem coletiva e de interesse de toda a comunidade em uma questão individual ou familiar: a família da vítima ou paciente é transformada em agenciadora de doadores.A emergência ou doença que provoca a necessidade de transfusão é de fato um problema individual, mas para a comunidade e para o Poder Público não é, pois de antemão todos sabemos que diariamente ocorrerão acidentes de trânsito, de trabalho, crimes, violências e cirurgias.Um outro aspecto da questão sangue e cidadania, está relacionada às cadeias de transmissão de doenças infecciosas, principalmente as que ocorrem pelo contato sexual. Cidadãos que se tornam doadores voluntários e permanentes adquirem informações que provocam o desenvolvimento da consciência da preservação da saúde através da redução dos riscos de exposição. Quando uma comunidade consegue cadastrar um parcela próxima de 4% de seus cidadãos como doadores voluntários e permanentes está formada uma cadeia sanitária que naturalmente se contrapõe à cadeia da transmissão, o que contribui para a redução de doenças”.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
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